Arquivo para Julho, 2008

Mais um besteirol!

 

Ontem o Tu alugou alguns filmes para me animar, mas foi um tiro no pé, mas não o programa(Ele trouxe minha melhor amiga, Tintia). Enfim, decidimos começar com a comédia dramática (Se isso existe!) “Ligeiramente Grávidos”, fiquei chocada,o filme não tinha nem pé e nem cabeça, propôs os clichês de sempre, os mesmos assuntos, sexo, drogas, homens babacas e muitas mulheres vulgares.

 

Estou cansada das “comédias” atuais, parecem todas iguais, não são engraçadas, não dá vontade de ri. Foi-se a era em que os longas faziam agente relaxar, os desenhos são mais divertidos e inteligentes.

 

Atualmente mil besteiróis estão surgindo nos cinemas, as histórias não mudam. Ora é um cara que usa baseado, ou uma mulher independente que só fala de sexo e beija todo o mundo, de repente pode ser sátiras a filmes já existentes, ou tudo isso misturado.

 

Que saudade que Chaplin deixou, os filmes dele faziam agente dá milhões de sorrisos, e ele só usava os gestos, nem abria a boca. Acho que talvez seja isso que as comédias atuais estejam precisando, queremos humor inteligente nos filmes e na TV, a fórmula atual está desgastada.

 

Não agüento mas ligar a TV nas terças feiras e assistir Casseta e Planeta, eu já sei o que vai passar, paródia a novelas, a lula, a mulher peituda, a dengue e outras coisas imbecis. A Record contratou aqueles chatos da Redetv, que continuam fazendo as mesmas babaquices. O Bofe de Elite, é bem bofetada na cara mesmo, o Tom perdeu o dom.  Vai o Pânico da TV, às vezes se renova e trás umas sacadas legais, mas o Silvio Santos e Vesgo estão passados.

 

A fórmulas que apresentam hoje estão cansativas, exaustivas, não dá mas para assistir essas baboseiras que estão nos entregando, pode ser até hollywoodiano, mas tem que ter conteúdo, dá pra assistir “Como perder um homem em 10 dias”, mas não pra ver um minuto “ Não é mais um besteirol americano”. Acho que o cinema e a TV estão precisando aprender com o teatro que é excelente nesse quesito.    

 

Olha fiquei mas deprimida depois de ver o filme, estou bem angustiada hoje, triste pela minha perda.

 

Beijinhos para todo mundo

 

;-)

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Luto

 

Hoje perdi uma pessoa muito especial, um primo. Aprendi com isso que devemos sempre falar o que sentimos, nunca disse a ele, o quanto era importante para mim.

 

Quando eu fiz 15 anos, foi ele que dançou comigo, a festa foi linda, ficou todo orgulhoso de ser meu príncipe. Sempre foi meu amigo, quando tinha 13 anos, fizemos uma viagem para praia, e contei que era B.V(Boca Virgem), nossa, me zoou até os 20.

 

Não dá pra acreditar que ele se foi, e eu nunca disse que o amava, não tive tempo. Me afastei por tanto tempo, vai ser estranho vê-lo deitado frio e imóvel. Tinha tanta vida, estava pensando em casar. Por que será que essas coisas acontecem..é difícil entender.

 

Sabe sempre amei esse primo, não paixão nada disso, não era coisa de casal, amor de irmão. Sempre foi meu primo preferido, tinha ciúme das outras primas e das namoradas dele, era meu irmão mais velho. E eu nunca disse. Aconselho amigo, nunca deixe para amanhã o que pode fazer hoje…

 

Beijinhos para todo mundo

 

;-)

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Crítica de Wall-E

 

Crítica do site Cinema em Cena, leiam e vai entender a magnitude da animação Wall-E:

 Dirigido por Andrew Stanton. Com as vozes criadas por Ben Burtt. E também: Fred Willard, Sigourney Weaver, Jeff Garlin, John Ratzenberger, Kathy Najimy, Elissa Knight.

 Há cerca de uma semana, fui submetido a uma cirurgia (a terceira – e última, espero – em um ano) e recebi a recomendação de permanecer algumas semanas em repouso absoluto. Nada de ir ao cinema, nada de trabalhar, nada de escrever; apenas descansar, relaxar e permitir que o velho corpo volte à normalidade. Mas eis que surge WALL•E, nova produção da Pixar, e me vejo irresistivelmente atraído à sala de projeção (afinal, estamos falando do estúdio que criou Toy Story, Toy Story 2, Monstros S.A., Procurando Nemo, Os IncríveisCarros e Ratatouille!). E como, depois de assistir à magnífica e apaixonante experiência representada por WALL•E, eu poderia deixar de escrever sobre este filme que parece representar uma espécie de mistura perfeita de Chaplin, Kubrick e Disney?

 Escrito por Jim Reardon e pelo diretor Andrew Stanton a partir de um argumento concebido por este e Pete Docter, WALL•E já tem início revelando a imagem angustiante do planeta Terra cercado por um verdadeiro anel de lixo, refletindo também o estado de sua superfície. Abandonado pelos humanos depois de se tornar inabitável, o planeta tem, como último ocupante, o robozinho que dá título ao projeto e que passa seus dias exercendo a (agora inútil) função para a qual foi criado: compactar e organizar todo o lixo criado pela humanidade – algo que dá origem a imensas construções de refugo que, de uma estranha maneira, remetem às Pirâmides e às ruínas Maias. É então que uma nave desconhecida deixa na Terra a robô EVA, que imediatamente desperta a curiosidade do solitário WALL•E.

 Contando com um primeiro ato praticamente livre de diálogos, o filme investe, em sua meia hora inicial, num design de produção que aposta numa paleta apropriadamente apagada que retrata o planeta como um universo de poeira e ferrugem – algo que contrasta de maneira eficaz com as cores fortes e a tecnologia impressionante que serão apresentadas a partir do segundo ato. Além disso, a ótima trilha de Thomas Newman foge das melodias engraçadinhas e ajuda a compor a atmosfera pós-apocalíptica do longa, incluindo, ainda, trechos de canções que normalmente não associaríamos a uma produção supostamente voltada para o público infantil, como “La Vie em Rose” (na voz de Louis Armstrong) e “Assim Falou Zaratustra” (mais conhecida como o “tema” de 2001: Uma Odisséia no Espaço). Estas opções narrativas, porém, se revelam mais do que adequadas, já que a alma do filme consiste na doce trajetória de duas criaturas que, criadas para seguirem cegamente suas diretrizes, gradualmente descobrem a própria individualidade e -  o mais importante – a magia que surge quando encontramos, no outro, algo que nos completa de alguma maneira.

 Concebido como uma mistura do Número 5 de Um Robô em Curto-Circuito e o E.T. de Spielberg (percebam a similaridade no formato da cabeça, na extensão do pescoço e até mesmo em seu “coração” brilhante), WALL•E também é uma evidência de todas as lições que a Pixar aprendeu com os clássicos da Disney no que diz respeito à antropomorfização de qualquer tipo de criatura: animais, carros ou pedaços de lata – e seus olhos tristes e com “pupilas” dilatadas representam um exemplo básico de como encantar através da vulnerabilidade do personagem (lembrem-se da “carinha” do Gato de Botas, em Shrek 2, realizado pela concorrente PDI/DreamWorks). Mas, mais do que uma simples criação “bonitinha”, WALL•E exibe uma personalidade encantadora: curioso por natureza e solitário por imposição, ele revela uma pureza contagiante ao descobrir beleza nos mais prosaicos objetos, como um isqueiro de metal ou a embalagem de um anel de diamantes (o qual ele imediatamente joga fora).

 Assim, quando se vê diante de EVA, que ele imediatamente reconhece como uma semelhante, o robô busca estabelecer um relacionamento que modelou a partir daquilo que considera como o “padrão” da interação humana: a seqüência musical “Put On Your Sunday Clothes” de Alô, Dolly, de 1969, e à qual ele assiste repetidamente em uma desgastada cópia em VHS. E demonstrando que uma comédia romântica (algo que WALL•E parcialmente é) não precisa repetir velhos clichês para funcionar, aqui a dinâmica entre o “casal” principal não depende de convenções como “brigam, mas se amam”, já que, em vez disso, vemos como WALL•E conquista EVA apenas com sua tocante personalidade: se inicialmente ela o encara apenas como um exemplar da “fauna” local, gradualmente percebe os atrativos do companheiro que, mesmo que a irrite ocasionalmente por não perceber a seriedade da situação na qual se envolveram, é indubitavelmente uma alma gentil e atenciosa. Aliás, não é nada estranho falar em “alma” ao discutir WALL•E, já que este personagem se mostra infinitamente mais humano do que a maioria absoluta das criaturas unidimensionais de carne-e-osso que costumam protagonizar as superproduções norte-americanas – e, neste sentido, as vozes criadas pelo veterano sound designer Ben Burtt (Star Wars) se revelam fundamentais no processo (e não é à toa que o citei em primeiro lugar ao listar o elenco, no início deste texto).

 Demonstrando inteligência ao adotar um estilo de direção totalmente diferente daqueles exibidos em Vida de Inseto e Procurando Nemo, o cineasta Andrew Stanton compreende que, em WALL•E, uma abordagem mais realista tornaria a narrativa ainda mais urgente e ressonante e, assim, freqüentemente cria planos instáveis que simulam a câmera na mão, emprega o rack focus com propriedade e investe até mesmo em zooms rápidos que parecem indicar que algum elemento da ação ocorreu inesperadamente, obrigando o operador de câmera a fazer um ajuste rápido (como na cena em que o protagonista é atingido por vários carrinhos de supermercado). Além disso, Stanton cria seqüências de imensa poesia, permitindo que a simples beleza plástica domine momentaneamente a narrativa, como na seqüência em que WALL•E e EVA flutuam no espaço impulsionados pela espuma de um extintor de incêndio e por jatos violeta que se cruzam num balé que remete à Fantasia, de 1940. Isto não impede, também, que o diretor aposte em gags visuais menos sofisticadas, mas não menos divertidas, como ao revelar que até mesmo os depósitos de lixo da luxuosa nave Axioma contam com “ratos”. E se os filmes da PDI/DreamWorks costumam depender exageradamente de referências pop contemporâneas, transformando citações a produções recentes em uma de suas principais fontes de humor (ver Shrek 2), WALL•E homenageia suas influências de forma infinitamente mais sutil e inteligente, como ao conceber o piloto automático AUTO como uma espécie de primo do HAL 9000 da obra-prima de Kubrick.

E se tudo que discuti anteriormente já serviria para estabelecer o filme como um clássico instantâneo, a surpresa se torna ainda mais agradável ao constatarmos que WALL•E também revela grandes ambições temáticas, como ao retratar os humanos do futuro como criaturas morbidamente obesas e tristemente inativas, numa crítica ácida às conseqüências de uma sociedade cada vez mais voltada ao consumo e que faz eco a argumentos semelhantes presentes no também fantástico As Bicicletas de Belleville. Impulsionados apenas pelo que lhes ordena a publicidade onipresente, os humanos se encontram cegos para a beleza à sua volta – e se o “modelo” de Alô, Dolly! defende a interação humana como fonte inesgotável de alegria, aqui os habitantes da Axioma jamais desgrudam os olhos das telas que os impedem de enxergarem uns aos outros.

 Curiosamente, alguns vêm criticando a suposta hipocrisia de um filme que, patrocinado pela megacorporação Disney, ataca o consumismo. Ora, isto apenas enobrece ainda mais o longa, comprovando que, mesmo nas mais impessoais e opressoras corporações, ainda há indivíduos que, operando de dentro, não permitem que a lógica do lucro e da burocracia oprima valores intrínsecos à natureza humana, como a criatividade e o amor pelo novo. Aliás, isto reflete justamente a principal mensagem de WALL•E, o que não deixa de ser um exemplo da Vida e da Arte em sintonia num mesmo projeto, já que os humanos do filme também reencontram sua curiosidade intelectual graças a um produto da indústria: o próprio WALL•E.

 Celebrando o valor da individualidade no que esta tem de melhor (não o egoísmo, mas a coragem de ser diferente), não é à toa que WALL•E acaba encontrando seus heróis num grupo de robôs “desajustados” – e, neste sentido, o filme de Andrew Stanton acaba se estabelecendo, ao lado de Os Incríveis e Ratatouille, como um dos mais adultos e intelectualmente ambiciosos produzidos pela Pixar, firmando-se como mais um clássico moderno entre tantos já realizados pelo fantástico estúdio de John Lasseter.

 Observação: Não há cena adicional após os créditos, mas o logotipo da corporação BNL, que domina o universo de WALL•E, faz uma última aparição.

 Beijinhos para todo mundo

 ;-)

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